Comunicação Não Violenta: relacionando-se com empatia

Comunicação Não Violenta é uma metodologia de extrema importância para quem presta trabalho a outros seres humanos. Relacionar-se com empatia se torna um diferencial cada vez maior. 

Falar em empatia em um mundo tão agitado pode parecer distante. Fechamo-nos em nossas casas, com nossas famílias, e vestimos armaduras ao irmos à rua.

Porém, lá fora nos deparamos com outros seres humanos. A comunicação não violenta nos auxilia a lidar com esses seres, de forma vulnerável, mas não tola.

Ter uma comunicação empática não significa ser passado para trás. Mas sim, implica em sabermos lidar com nossos sentimentos e pensamentos, não só isso, com os sentimentos e pensamentos do outro também.

Continuaremos tendo conflitos, discussões e debates. Mas, ao dominarmos a Comunicação Não Violenta e aprofundar nossa empatia, conseguimos amenizá-las, tirar desses momentos o que de bom ele possa ter a nos ofertar, ao passo que permite nos proteger e blindar daquilo que não nos serve.

Comunicação Não Violenta (CNV): o que é e benefícios

Também conhecida como comunicação compassiva ou empática, CNV é uma metodologia comunicacional que apoia o estabelecimento de relações de parceria e cooperação. Na Comunicação Não Violenta, predomina a comunicação eficaz e empática.

Estimula-nos a desenvolvermos habilidades de linguagem e comunicação que fortalecem a capacidade de continuarmos humanos, mesmo em condições adversas. A CNV nos ajuda a nos ligarmos uns aos outros e a nós mesmos, possibilitando que nossa compaixão natural floresça.

Um princípio chave da comunicação não violenta é a capacidade de se expressar sem usar julgamentos de “bom” ou “mau”, do que está certo ou errado. A ênfase é posta em expressar sentimentos e necessidades,em vez de críticas ou juízos de valor.

Dentre os benefícios, podemos mencionar: melhor compreensão das necessidades e interesses; clareza nos seus sentimentos negativos e positivos; melhora na comunicação passiva e ativa. E ainda, aumento na percepção do que realmente importa; e, ser mais autêntico e empático.

Comunicação Não Violenta: relacionando-se com empatia

Características da CNV

Ao falarmos sobre as características da CNV, pode-se mencionar:

  • Empatia, base desta metodologia, é a habilidade de se colocar no lugar do outro, enxergando o mundo como ela;
  • Escuta ativa, ouvir atentamente à fala do outro, com curiosidade e atenção;
  • Autenticidade, capacidade de manter valores e convicções independente do desconforto; 
  • Compaixão, não se trata de sentir dó ou pena, mas sim, de “sentir com”, de imaginar como uma pessoa se sente em determinada situação. Além de respostas ou soluções a um problema, é estar presente e conectado;
  • Clareza, exatidão em demonstrar sentimentos e/ou necessidades;
  • Atenção, não retrucar ou contra argumentar imediatamente, mas, escutar; 
  • Entrega, estar e ser presente com compromisso, atitude e envolvimento;
  • Conexão, é a linguagem do coração, lugar onde as pessoas podem ser quem são, com empatia, disponibilidade e vulnerabilidade. Cria laços de compreensão e confiança;
  • Tempo, disponibilidade para escutar;
  • Sentimentos, identificá-los e expressá-los; 
  • Necessidades, quando não atendidas, geram sentimentos ruins, segundo o psicólogo desenvolvedor desta metodologia (CNV), “toda violência é uma expressão trágica de uma necessidade não atendida”;
  • Acolhimento, percepção das necessidades do outro, compreender o que o outro está comunicando por palavras e comportamento.

Onde aplicar a CNV

Na família – perceber o dinamismo característico das relações familiares nos ajuda em questões envolvendo afeto, cuidado, memórias, poder e histórias que alteram a maneira como nos expressamos com cada pessoa. A comunicação não violenta pode nos trazer resultados práticos aqui, expressando com clareza o que se deseja.

Por exemplo: ao invés de dizermos “saia deste celular”, podemos dizer “gostaria que você deixasse um pouco esse celular e passasse mais tempo conversando conosco”.

Em relacionamentos amorosos podemos aplicar a comunicação não violenta e nos relacionarmos com empatia. Compreender e expressar sentimentos da maneira correta, torna a relação mais autêntica. 

Discussões sempre vão existir, divergências ocorrerão; há de se aprender a lidar com isso. Não é sobre evitar conflitos, mas permitir a mediação deles. 

Trata-se de abrir a possibilidade de dizer o que é necessário e o que se sente. Uma relação saudável é estar atento a isso e se adaptar conforme as necessidades. 

Ambientes sociais, na forma como as pessoas se comunicam entre si, encontra-se a solução para resolver desentendimentos e discussões. Algumas maneiras de se comunicar fazem com que as pessoas apresentem comportamentos violentos, tais como: julgamento moralizante, comparações, negação de responsabilidade e transformação de desejos em exigências.

Além disso, alguns comportamentos impedem a conexão empática entre as pessoas, como os impulsos de educar, competir pelo sofrimento, consolar, contar história, ser solidário ou encerrar o assunto. O melhor é ouvir, ao invés de deduzir possibilidades.

Pilares da CNV

Autenticidade

Expressão daquilo que é verdadeiro e legítimo em nós. Diz respeito à nossa condição humana, que podemos acessar e aceitar. Relaciona-se com o reconhecimento de que somos ao mesmo tempo construtivos e destrutivos, bons, e, nem tanto.

Honestidade e autenticidade abrem espaço para a singularidade. A expressão da nossa verdade clara e essencial demanda uma atitude firme e constante, além de trabalho individual de autoconsciência.

A autenticidade pode ser cuidadosa e respeitosa. É uma força corajosa e não-violenta que trazemos na nossa comunicação para falar do que sentimos e necessitamos. 

Falar de si de forma autêntica e enxergar o outro com empatia nos ajuda a construir pontes com o outro, especialmente na hora do desentendimento. Para tal, troca-se a lente do erro, da culpa, da vergonha, para a lente do “somos todos humanos e imperfeitos”

Assim, cria-se um clima de confiança entre as pessoas, pois há a percepção de não se estar sendo acusado, portanto, você não precisa se defender na conversa. Ainda, percebe-se poder falar a verdade, a sua verdade, de um jeito que o outro ouça.

Praticar diálogos corajosos permite parar de julgar o comportamento que você não gosta como errado ou inadequado. Começa-se a ter compreensão da pessoa que faz aquilo, começa-se a ver o que ela sente e porque faz o que faz, mesmo que você continue não concordando.

Cada vez mais as pessoas têm pavor de conflito, pois as formas conhecidas para lidar com desentendimentos são ineficientes, portanto, é melhor desejar que o conflito não exista, ou até mesmo ignorá-lo. Só que onde tem gente, cedo ou tarde terá algum conflito.

A solução é começar a praticar diálogos corajosos diante de pequenos ou grandes conflitos, conversar com coragem, não a de cuspir críticas. Uma coragem ainda maior, como sugere a própria palavra: agir com o coração. A coragem de falar de si ao invés de apontar o dedo para o outro, de se mostrar verdadeiro, mostrar o que você sente e o que te leva a sentir isso. 

Comunicação Não Violenta: relacionando-se com empatia

Autocompaixão

Quando internamente somos violentos com nós mesmos, difícil se torna ter compaixão verdadeira pelos outros. Desta forma, a autocompaixão se torna algo de extrema importância a se desenvolver.

Autocompaixão é a capacidade de oferecermos apoio e suporte para nós mesmos, antes de qualquer julgamento ou avaliação. E, assim como todo mencionado acima, também pode ser desenvolvida.

É um ato de gentileza e de amizade internos. Contrapõe-se com hábitos de cobrança e exigência, contrapõe-se ao ideal de eu narcisista, que, nos momentos de dor e fracasso, faz com que não nos apoiemos. 

Nossas mudanças podem ser estimuladas por um desejo de melhorar nossa vida e a dos outros, ao invés do estímulo vir através de vergonha ou culpa, essas duas últimas, energias destrutivas. Vergonha e culpa nos guiam pelo ódio por nós mesmos, não sendo livres e nem cheias de alegria.

Mesmo que nossa intenção seja de nos comportarmos com mais gentileza e sensibilidade, as pessoas ao sentirem a vergonha ou a culpa por trás de nossas ações, terão menor probabilidade de apreciarem o que fazemos. Agora, quando a motivação se origina do desejo humano de contribuir para a vida, esta sim, terá alta probabilidade de apreciação.

O verbo dever pode infligir medo ou culpa. “Eu deveria ter feito aquilo”. “Eu deveria saber”. Faz com que resistamos ao aprendizado, pois implica que não temos escolha: deveria ter feito isso e pronto!

Por ameaçar a nossa autonomia, uma de nossas necessidades mais fundamentais, tendemos, enquanto seres humanos, a resistirmos a qualquer tipo de exigência. Não nascemos para ceder a tirania, mesmo que seja tirania interna.

Ao cedermos, o movimento origina de uma energia que carece de alegria de viver. Substituir por “eu opto por fazer” ou “eu escolho fazer” passam uma mensagem de que temos escolha

Julgamentos são expressões trágicas de nossas necessidades insatisfeitas, mesmo que seja julgamento interno. Portanto, traduzir os julgamentos sobre si e as exigências internas possuem imenso valor em como levamos a vida, permitindo com que sigamos mais alegres e leves.

Empatia

Como dito anteriormente, empatia é a habilidade de se colocar no lugar do outro. É olhar para a experiência do outro a partir do universo dele. 

Empatia é sobre compreender os sentimentos e necessidades do outro, através da oferta de presença na escuta. Podemos desenvolver essa habilidade em compreender o significado de uma experiência que uma outra pessoa está vivenciando, legitimando-a. 

Numa metáfora, é entrar dentro da casa da pessoa que estamos ouvindo, olhar o que ela tem na parede, como arruma sua sala, o que ela come, quais músicas ouve, suas crenças religiosas. E, após conhecermos mais do mundo de dentro, torna-se muito mais fácil compreendermos e validarmos seus sentimentos e necessidades. 

Todavia, é primário que não haja julgamento, que não se conclua nada de forma precipitada, que apenas se observe. Assim, a conexão entre as pessoas fluirá naturalmente.

Empatia, portanto, é o exercício de ouvir e viver o que o outro sente por dentro. Ouvir o que a pessoa tem a dizer, sem querer responder, colocando-se dentro da experiência narrada. Assim, conectamo-nos com seus sentimentos.

CNV e a Advocacia

Caso deseje aprofundar no tema, recomendamos o Centro de Mediadores. E sobre advocacia, pois bem, qual a relação da CNV com a advocacia? Nós, enquanto advogados, tratamos de pessoas com algum tipo de problema, com alguma história para nos contar. Do contrário, ela não estaria buscando auxílio jurídico.

Saber como se comunicar e fazê-lo de uma forma humanizada em meio a um mundo regido por automações, inteligências artificiais, onde as pessoas vivem no piloto automático, é um grande diferencial. E nós, do escritório Advocate, trabalhamos de forma extremamente humanizada.

Você terá todo apoio necessário, será acima de tudo, ouvido, respeitado e honrado. Somos gratos por confiarem a nós a missão de resolver da melhor forma possível o que te aflige.

Em troca, como forma de gratidão, preparamo-nos muito além das leis, muito além das normas. Estamos prontos enquanto seres humanos empatas, capazes de nos comunicar com profundidade, prestando um atendimento de altíssima qualidade.

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